sexta-feira, 29 de outubro de 2010

A PARTIDA


No dia 16 de outubro de 2010, partimos para nossa viagem.

Na noite anterior, uma sexta, fomos ao excelente Anexo do Bar dos Chicos com os amigos pra tomar a saideira. A viagem não tinha um roteiro tão bem definido, nossa intenção era ir para o Sul do Brasil, passar pela Serra Gaúcha, tomar uns vinhos e, claro, pilotar por horas e horas. Nossas motocas: uma Honda XRE 300 e uma Yamaha Midnight Star 950.


Os camaradas Víctor e Kácio, devidamente acompanhados de suas senhoras, e o Eduardo, que mais tarde se juntou a nós, acompanharam nossas discussões, pelo menos até o ponto onde o álcool permitiu que houvesse discussões. Também ajudaram a arrumar as bagagens do André na sua motoca. Coisa básica, mas que precisava ser bem feita. Já havia equipado a minha motoca com baús, o que de fato ajudou um bocado.

Mais tarde o Gustavão se juntou a nós, e bebemos até bem tarde. Não necessariamente o melhor comportamento para a véspera de um dia em que pretendíamos andar cerca de 650 km, do Rio de Janeiro até Registro-SP.

Mas pela manhã, com ressaca e sono, partimos assim mesmo em direção ao nosso destino!

Saímos do Marco Zero (casa do Kácio) às 8:00 hs, e pilotamos até às 19:45 hs. Roteiro básico: do Rio pela Via Dutra até Sampa, Marginais + Rodoanel, e Rodovia Régis Bittencourt até o munícipio de Registro. Tempo bom, sem chuvas, estradas livres.

Em Registro, hospedagem no hotel Estoril, à beira da estrada. Obviamente estávamos mortos; nem chegamos a jantar. Apenas tomamos banho, e fomos dormir.




Saldo do primeiro dia: 668 km rodados.

O que já seria suficiente pra matar muitos Asas Brancas.


quinta-feira, 28 de outubro de 2010

OS ASAS BRANCAS


Este blog é em grande medida destinado aos nossos amigos Asas Brancas. Enquanto viajávamos pelo universo, mais especificamente a parte dele chamada de Região Sul do Brasil, eu sempre pensava nessas pessoas. Pode parecer, uma vez que o título de nosso grupo é "Aqui não tem Asa Branca!", que de alguma forma a gente não gosta deles. Nada mais distante da verdade. O que acontece é que grande parte do que fazemos é destinado a estas atormentadas criaturas, para que pelo menos sirva de exemplo. Lógico que a gente sabe que não vai adiantar, e que eles vão continuar fazendo as coisas do mesmo jeito.

Um Asa Branca tem uma grande consideração, basicamente, pelo seu equipamento. O primeiro equívoco (e o principal, de fato) decorre daí. Ao confundir o equipamento com a realidade, fica muito difícil pra eles perceberem que por causa disso estão deixando de fazer as coisas. Às vezes (diria até quase sempre), o primeiro passo pra se realizar algo é começar a fazer, e depois ir acertando o resto pelo caminho. Mas o Asa Branca (doravante designado apenas por AB) teima em COMPRAR TUDO ANTES DE COMEÇAR QUALQUER COISA e, se não consegue comprar tudo - digo TUDO mesmo - aí nem faz. Entretanto, e esse é um dos paradoxos que torna tão dificultosa a vida destas complexas criaturas, após comprar tudo, FICAM TÃO FELIZES QUE PREFEREM NÃO FAZER NADA. E aí, é fácil concluir, NUNCA fazem nada mesmo.



Até porque, se fossem fazer algo, correriam o risco de estragar o equipamento. E isso é claramente inaceitável para um AB, bem entendido.

Disso resultam curiosas distorções. Por exemplo, quando alguns AB compram motos de enorme cilindrada (as preferidas são as BMWs e Harleys), e as usam apenas para ir encontrar com os amigos na frente do boteco (se possível após passar uma flanelinha...). Ou quando um AB compra um laptop com sabe-se lá quantos giga de memória RAM e HD de milhares de Terabytes, pra ler e-mail e jogar paciência... Também gostam muito de turismo, entendido isso por pegar um avião e ir, de preferência, para alguma capital européia, onde ficam por um bom tempo fazendo coisas emocionantes como frequentar restaurantes caros e tirar fotos, com suas máquinas de último tipo. Depois voltam, e verificam se foram mesmo nos lugares da moda (em acaloradas discussões com outros AB).

Deve-se lembrar além do mais do enorme sofrimento porque passam com o lançamento das novas versões dos equipamentos, quando os seus, embora escrupolosamente conservados (até porque largamente subutilizados) tornam-se obsoletos, e teriam (?) de ser substituídos pelos da nova geração. Mesmo que continuem perfeitamente funcionais e atendendo perfeitamente às reduzidas exigências de seus proprietários.

Nunca é demais lembrar, comprar os equipamentos dos AB é uma fonte segura de lucros, porque costumam estar sem nenhum arranhão (ou só um, no caso de ser este o motivo que os levou a vendê-los...).

No futuro, estas injustiçadas e incompreendidas criaturas talvez disponham de algum tratamento psicoterápico que as liberte dessa estranha obsessão. Até lá, bem, espero que aguentem firme!!!