quinta-feira, 28 de outubro de 2010

OS ASAS BRANCAS


Este blog é em grande medida destinado aos nossos amigos Asas Brancas. Enquanto viajávamos pelo universo, mais especificamente a parte dele chamada de Região Sul do Brasil, eu sempre pensava nessas pessoas. Pode parecer, uma vez que o título de nosso grupo é "Aqui não tem Asa Branca!", que de alguma forma a gente não gosta deles. Nada mais distante da verdade. O que acontece é que grande parte do que fazemos é destinado a estas atormentadas criaturas, para que pelo menos sirva de exemplo. Lógico que a gente sabe que não vai adiantar, e que eles vão continuar fazendo as coisas do mesmo jeito.

Um Asa Branca tem uma grande consideração, basicamente, pelo seu equipamento. O primeiro equívoco (e o principal, de fato) decorre daí. Ao confundir o equipamento com a realidade, fica muito difícil pra eles perceberem que por causa disso estão deixando de fazer as coisas. Às vezes (diria até quase sempre), o primeiro passo pra se realizar algo é começar a fazer, e depois ir acertando o resto pelo caminho. Mas o Asa Branca (doravante designado apenas por AB) teima em COMPRAR TUDO ANTES DE COMEÇAR QUALQUER COISA e, se não consegue comprar tudo - digo TUDO mesmo - aí nem faz. Entretanto, e esse é um dos paradoxos que torna tão dificultosa a vida destas complexas criaturas, após comprar tudo, FICAM TÃO FELIZES QUE PREFEREM NÃO FAZER NADA. E aí, é fácil concluir, NUNCA fazem nada mesmo.



Até porque, se fossem fazer algo, correriam o risco de estragar o equipamento. E isso é claramente inaceitável para um AB, bem entendido.

Disso resultam curiosas distorções. Por exemplo, quando alguns AB compram motos de enorme cilindrada (as preferidas são as BMWs e Harleys), e as usam apenas para ir encontrar com os amigos na frente do boteco (se possível após passar uma flanelinha...). Ou quando um AB compra um laptop com sabe-se lá quantos giga de memória RAM e HD de milhares de Terabytes, pra ler e-mail e jogar paciência... Também gostam muito de turismo, entendido isso por pegar um avião e ir, de preferência, para alguma capital européia, onde ficam por um bom tempo fazendo coisas emocionantes como frequentar restaurantes caros e tirar fotos, com suas máquinas de último tipo. Depois voltam, e verificam se foram mesmo nos lugares da moda (em acaloradas discussões com outros AB).

Deve-se lembrar além do mais do enorme sofrimento porque passam com o lançamento das novas versões dos equipamentos, quando os seus, embora escrupolosamente conservados (até porque largamente subutilizados) tornam-se obsoletos, e teriam (?) de ser substituídos pelos da nova geração. Mesmo que continuem perfeitamente funcionais e atendendo perfeitamente às reduzidas exigências de seus proprietários.

Nunca é demais lembrar, comprar os equipamentos dos AB é uma fonte segura de lucros, porque costumam estar sem nenhum arranhão (ou só um, no caso de ser este o motivo que os levou a vendê-los...).

No futuro, estas injustiçadas e incompreendidas criaturas talvez disponham de algum tratamento psicoterápico que as liberte dessa estranha obsessão. Até lá, bem, espero que aguentem firme!!!

Um comentário:

  1. João, ótima escolha de assunto para seu primeiro post. Acho que os ABs padecem de um mal parecido com o que aflige aquelas mulheres que se vestem para impressionar pessoas do mesmo sexo. Os ABs assim se comportam para conseguir aceitação dentro do círculo dos próprios ABs, pois na realidade são os únicos que nutrem este tipo de interesse fútil. Imagino que seu trabalho humanitário de "servir de exemplo" deva durar um bom tempo, quiçá a vida toda. Supondo uma coisa genética como causa raiz deste desvio, a ciência sinaliza não haver tratamento possível para os ABs no horizonte de curto prazo.

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